IVINHEMA: 31 anos de uma tragédia que jamais será esquecida

Ciclone/Tornado que atingiu a cidade deixou rastros de destruição e várias vítimas fatais

| REDAçAO ACONTECEU MS


Foto: Reprodução/Juninho Nino

Sábado, 29 de julho de 1989 - 31 anos de um triste acontecimento na cidade de Ivinhema.

Um ciclone/tornado tomou conta da cidade. Os ventos fortíssimos, por onde passavam, iam destruindo escolas, comércios, residências e barracões, deixando para trás muitas famílias desabrigadas e um grande prejuízo material.

No entanto, o pior veio acontecer por volta das 21h30min no Clube da ACRI, onde iria ocorrer o Desfile da Primavera. O evento contava com aproximadamente um público de 450 pessoas, a maioria jovens da cidade de Ivinhema e região. 

Os ventos fortes chegaram até o local do evento, destruindo totalmente o Clube, derrubando paredes, vigas de concreto, estruturas metálicas e telhas (canaletões) em cima dos que estavam ali presentes.

Pânico, desespero, medo e gritos de dor tomaram conta do local.

Naquele tempo, a cidade tinha pouca estrutura a oferecer, mas graças a muitos heróis anônimos que prestaram socorros as vítimas a tragédia foi um pouco menor.

Segundo as notícias do jornal da época, o vento arrancou 2 das paredes de
um clube e a queda da cobertura deixou 17 mortos e 160 feridos; foram destruídas 80 casas (10 de madeira), 1 escola (parcialmente); 3 fábricas de farinha de mandioca; plantação de milho (parcialmente); 3 automóveis (parcialmente); árvores foram arrancadas e foram atingidos animais pequenos. (SALVI; FERREIRA, 2007)

Relatos

Em uma publicação do Facebook, moradores e ex-moradores de Ivinhema se recordaram e comentaram sobre o ocorrido:

"Ficou pra mim uma lembrança que nunca irei esquecer, eu estava lá dentro na hora em que tudo aconteceu..... Fui transferido para Presidente Prudente onde houve várias fraturas... Fiquei 60 dias com gesso, a perna saiu fora, não gosto nem de lembrar.. foram amigos que perdi naquela tragédia...."

"Eu também estava lá neste dia, consegui sair viva e voltar para achar meu irmão. Dia de muita tristeza...."

"Tenho lembranças também muito triste desse dia, pois eu tive traumatismo craniano, duas cirurgias no meu braço esquerdo e mais algumas cicatrizes."

"Estou viva e andando hoje por milagre... Tenho pavor de temporais..."

"Impossível esquecer esse dia triste, eu também sou uma sobrevivente."

"Dia lamentável, graças a Deus por milagre sou uma sobrevivente."

"Essa também não esqueço. Estava lá. Vivi de novo."

"Não tem como apagar da mente um acontecimento desse, eu estava lá, bem no meio da pista de dança quando passou algo tão quente, mas tão quente, quando abri os olhos só vi destruição, com certeza não era meu dia, graças ao nosso bom Deus não tive nem um arranhão, mas perdi minha prima querida..... Não tem como esquecer, infelizmente foi uma tragédia."

"Como não lembrar dessa tragédia, muitas lembranças tristes, muitas perdas e não só o Acri, mas vários pontos da cidade foram destruídos."

"Eu, minha esposa e minha irmã estávamos lá bem na portaria... Foi muita sorte nossa..."

"Me lembro dos velórios, um na esquina da minha casa, ou na rua de cima e outros na igreja Católica, nunca saiu na minha cabeça, ver todos aqueles caixões juntos, um ao lado do outro na igreja Católica."

"Eu era pré adolescente e chorei muito porque minha mãe não me deixou ir. Hoje só tenho a agradecer."

"Graças a Deus eu não estava lá. Assim pude ajudar no hospital a socorrer muita gente, muito triste ver tanta gente morta e machucada."

"Eu Trabalhava na Polícia Civil nessa época, participei do resgate das vítimas, muito tristeza e desespero, a imagem mais triste que já vi em um Ginásio de Esportes os caixões perfilados."

 

Confira o documentário, gravado 1 semana após o fatídico episódio, que mostra alguns dos grandes estragos que foram deixados na região:

* (O documentário foi idealizado por Nino Santos, contou como repórter o "China" e editado por Juninho Nino)



Comentários

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE