Em época de pandemia do coronavírus, a guerra pela disputa do narcotráfico na fronteira Ponta Porã/ Paraguai entre as facções criminosas teve uma trégua nestes últimos dias, mas por causa do fechamento das fronteiras o que se teme agora é uma ‘resposta’ dos chefões contra autoridades dos dois lados.

 
O número de assassinatos caiu desde a implementação do toque de recolher, sendo que em nove dias em todo o Estado foram registrados sete homicídios contra 13 no mesmo período do ano passado. Mas, mesmo com esta diminuição gritante, as autoridades não descartam uma ofensiva das facções criminosas, que não teriam gostado do fechamento das fronteiras dificultando, assim, o tráfico de drogas e armas acabando com ‘os negócios’.

 

Uma ofensiva é esperada com ataques a policiais brasileiros e paraguaios, mas os planos de contenção para que isso não ocorra não foram revelados por questões de segurança. Na fronteira como em parte do Brasil se fala em ‘virar as cadeias’, que seria um termo usado por detentos para rebeliões e fugas em massa.

 
Um documento do PCC (Primeiro Comando da Capital) teria sido interceptado no último sábado (28) por policiais de São Paulo, onde a facção criminosa orienta aos seus advogados os pedidos de prisão domiciliar para detentos que não cometeram crimes sem violência e a liberdade para gestantes e lactantes, que estão cumprindo pena, além da progressão da pena para aqueles que já cumpriram mais da metade em regime fechado. Informações são de que Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder do PCC teria se reunido, na semana passada, com outras lideranças para decidir o que seria feito depois do fechamento das fronteiras.

 

Na fronteira de Ponta Porã, membros do PCC estão em guerra declarada contra grupos paraguaios pelo controle da fronteira seca entre o Brasil e Paraguai em Mato Grosso do Sul, um dos principais corredores para o narcotráfico na América Latina na atualidade, desde o assassinato de Jorge Rafaat Toumani, em 2016, e a disputa continua provocando verdadeiro banho de sangue na faixa de fronteira.

 

Em dezembro do ano passado, o Clã Alderete foi atacado por membros do PCC, quando 30 integrantes destruíram fazendas dos paraguaios com bombas e tiros. Em junho pela disputa do narcotráfico da região, o traficante Emanuel Dias Ecker, conhecido como ‘Alemão Ecker’, foi executado com pelo menos 50 tiros. O assassinato de Alemão teria a versão de que ele estaria sendo perseguido por ex-guarda costas do narcotraficante Jorge Raffat, que foi assassinado em junho de 2016, no centro de Pedro Juan Caballero, na fronteira com Ponta Porã.



PUBLICIDADE
PUBLICIDADE