Reajuste de 19% eleva metro cúbico do gás natural para R$ 5,00 na Capital

Petrobras anunciou reajuste no preço do gás veicular na última sexta; metro cúbico já é vendido a mais de R$ 5

| GUILHERME CORREIA E CLEBER GELLIO / CAMPO GRANDE NEWS


Alguns motoristas ainda preferem GNP, por ficar mais em conta que gasolina. (Foto: Cleber Gellio)

Petrobras anunciou aumento de 19% nos preços de venda do GNV (Gás Natural Veicular) para distribuidoras, e, na prática, a precificação reajustada desde ontem (1º) já tem interferido no orçamento de condutores de veículos que usam este tipo de combustível, na Capital, sobretudo motoristas de aplicativo.

Hemerson Lucas Teixeira, de 25 anos, comenta que pagou R$ 4,79 da última vez que abasteceu, e que a diferença de aproximadamente R$ 0,50 “parece pouca', mas acaba fazendo a diferença no final do mês.

Dirigindo um Volkswagen Voyage para realizar corridas por meio dos principais aplicativos de mobilidade, ele diz que gasta cerca de R$ 1,2 mil mensais e o reajuste no valor “acaba reduzindo bastante o nosso lucro, no fim das contas'.

Há três anos neste ramo, Carlos Henrique da Silva, 40, gasta pelo menos R$ 1,8 mil mensais com combustível e o aumento poderá ampliar em cerca de R$ 300 neste custo. “Essa diferença parece ser pouca, mas no final das contas, tem que acabar rodando mais para fazer o mesmo [dinheiro] que fazia antes, porque a gente assume compromissos'.

Rodo pelo menos 12h por dia. Vou ter que fazer 13h, se quiser correr atrás dessa diferença. Uma hora a mais no trânsito é uma hora a menos de qualidade de vida, uma hora a menos com a família, mas não tem jeito', lamenta.

Colega de profissão ,Thiago Prieto Ferreira, 22, atua há dois anos e comenta que, comparado a outros combustíveis, avalia que mesmo com o aumento no preço, o gás ainda é vantajoso.

Ele trabalha cerca de nove horas por dia e “tem compensado' usar este combustível em seu Volkswagen Gol, que faz até 16 quilômetros por metro cúbico, enquanto na gasolina, cada litro faz rodar cerca de 14 quilômetros.

“Ainda compensa, mas vai ter que aumentar a carga horária. Não tem como, você acaba tendo que trabalhar mais. Os custos continuam os mesmos.'

Preços - Posto Modelo, na Avenida Costa e Silva, na Vila Progresso, vende o combustível a R$ 4,49, nesta manhã, mesmo preço informado anteriormente. Já o Yonamine, entre as avenidas Calógeras e Fernando Corrêa da Costa, no Centro, vendia a R$ 4,69, mas já reajustou para R$ 5,29.

Auto Posto Alloy, também na Avenida Fernando Corrêa da Costa, passou de R$ 4,69 para R$ 5,29.

No ‘Posto dos Taxistas’, na Avenida Calógeras com a Rua Coronel Quito, custa R$ 4,59, enquanto outro posto, na Avenida Mato Grosso com a Rua 25 de Dezembro, comercializa pelo maior preço verificado pela reportagem na cidade, de R$ 5,35.

Reajuste - Segundo a Petrobras, o reajuste segue a atualização de fórmulas acordadas em contrato com as distribuidoras, com base na variação dos preços do gás, do petróleo Brent e da taxa de câmbio.

A empresa acrescentou ainda que o preço final do gás natural ao consumidor também é influenciado pelas margens das distribuidoras e pelos tributos federais e estaduais.

Desde 2016, a Petrobras adota a PPI (Política de Preços de Paridade de Importação), que vincula preços praticados no País aos que são usados no mercado internacional, com base no preço do barril de petróleo tipo Brent, calculado em dólar.

Além disso, segundo a estatal, outros fatores influenciam no preço final, como as margens de lucro das distribuidoras e dos postos de revenda, além dos impostos cobrados pelos entes federal e estaduais.

Nos últimos meses, houve uma grande elevação da cotação do petróleo sob influência dos impactos da guerra na Ucrânia, entre outros fatores. O barril saiu de US$ 82 no início de janeiro, chegou a US$ 130 em março, e agora tem se estabilizado próximo aos US$ 105.



Comentários

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE