Coluna do Pigosso: Quanto Vale

| ADEMIR PIGOSSO


Ademir Pigosso (Colunista)

QUANTO VALE...

Fizemos uma visita a uma família, de vida rural, com objetivo de fazer uma entrevista para um projeto em andamento. A família vive em um sítio de pequeno porte, mas com diversidade produtiva invejável; um lugar onde se vive com orgulho. O patriarca enche-se de alegria ao dizer que é de lá que retira o sustento para sua família. É pai de dois filhos já adultos, marido de uma esposa dedicada: amigo, parceiro, honesto. Demonstra grande amor pela família e por sua morada. Como introdução ao bate-papo, com perguntas de estímulo, falou um pouco de sua origem cearense, sua vida em nosso município, sua família e as dificuldades dos tempos de mata fechada. Falou de sua aversão à política e aos políticos, que valorizam mais o poder e o dinheiro, em detrimento dos menos favorecidos. Falou sobre saúde, família. Contou seus projetos, sua vida e planos que vai colocar em prática, dando ênfase à sua preocupação de proporcionar à sua prole continuar retirando do campo seu sustento, garantia que quer ter quando partir. Enfatiza que sua idade não lhe permite mais o pique de antes, fala de seu problema no joelho, e também da ajuda do filho, que embora tendo graves limitações físicas, o ajuda em seu trabalho no campo, ao menos lhe levando água fria, entre uma enxadada e outra. Também lhe pode mudar a cadeira de lugar para o necessário descanso, de forma que vença o dia, além de lhe fazer companhia, tanto nos projetos quanto nas conversas que tornam o dia menos cansativo. A família sempre busca alternativas e novas técnicas para proporcionar uma melhoria nos seus produtos, repassando tecnologia a seus vizinhos e interessados, de forma gratuita e desinteressada. Uma espada atravessa o seu coração e sua alma quando fala do preconceito, motivo que o deixa muito triste, pois a própria palavra já vem carregada de ranço. Em determinada época sofreu preconceito por motivos raciais e, por fim, por problemas de limitações físicas que membros da família enfrentam. Conhecemos uma família na essência, e como ela não mediu forças para ver os seus filhos formados e com o diploma na mão; ao falar sobre isso uma lágrima lhe tenta escapar e um nó se forma na garganta... respira um pouco. Findando o bate-papo, a matriarca providenciou suco de araçá-boi, bolo e pão caseiro, feito pela manhã; foi uma mesa posta com amor e carinho. Saímos de lá com um ganho imensurável de aprendizado; foi realmente uma aula de um produtor rural nos dias de hoje. Ao finalizar, fizeram questão de nos convidar para uma nova visita. 

Pense nisso...

Nosso abraço vai para: Todos os produtores rurais de Ivinhema MS.

(Ademir Pigosso)

 

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Site AconteceuMS



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