Paciente de 82 diz ter apanhado “na cara” de enfermeiro no Hospital Regional

Familiares contam que funcionários do hospital duvidaram da veracidade da denuncia feita pela idosa

| CAMPO GRANDE NEWS


Senhora de 82 anos sendo amparada pela neta Maira Paula (Foto: Bruna Marques)

Dez dias depois da denúncia de estupro no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, outra paciente alega que foi vítima de agressão. Uma idosa, de 82 anos, relatou à família que levou tapas no rosto quando estava internada por complicações da covid-19.

O Campo Grande News conversou com a senhora que já está em casa após ter ficado 36 dias internada. Nesse período, desenvolveu uma pneumonia, teve 40% do pulmão comprometido e precisou respirar com ajuda de oxigênio. Debilitada e dependente de ajuda, ela relatou para a família que sofreu com a 'má conduta' dos profissionais.

“Ela não reclamou de nenhuma enfermeira, reclamou de dois enfermeiros homens, um batia na cara dela e mandava ficar quieta e o outro apertava forte seus braços. Ela disse também que um deles jogava água gelada, forte na cara dela na hora de lavar', revela a neta da senhora, a cabeleireira Maira Paula dos Santos, de 32 anos.

Apavorada, a senhora que antes morava no Jardim Bonança, hoje reside na casa da filha, no Jardim Noroeste. De acordo com a neta, a avó ficou muito abalada e já no dia da alta repetia sem parar que queria sair do hospital, porque lá 'só tinha bandido'.

“Quando fomos buscar ela estava no desespero de querer ir embora. Estava com medo não queria nem voltar para pegar o brinco de ouro que usava quando foi internada. Toda vez que tentamos entrar no assunto ela fica muito nervosa e a pressão sobe', relata.

Incomunicável - Todos os dias, o boletim, que a família recebia com o estado de saúde da paciente, informava que ela estava 'desorientada', mas questionada, a psicóloga do hospital dizia que era normal.

“Perdemos as contas de quantas vezes ligamos para a psicóloga para saber o porque do 'desorientada' e ela falava que era por causa do dosagem do remédio', lembra a neta.

Após muitas tentativas, a família conseguiu conversar com a senhora por vídeo chamada e nesse dia perceberam que tiraram o celular da mão da senhora quando ela tentou dar um sinal.

“Minha mãe conseguiu falar com ela, foi uma coisa rápida. Ela pediu pra minha mãe tirar ela de lá que ela estava sofrendo e ia acabar morrendo lá dentro. E nessa hora eles tiraram rápido o celular da visão dela. A impressão era que ela queria dar um recado', expõe.

Maus tratos que deixou trauma - Indignada com a revelação da mãe, Marly Aparecida dos Santos, 55 anos, conta que desde que a idosa recebeu alta, no dia 9 de dezembro do ano passado, não superou o medo e ela precisa de companhia 24 horas por dia.

“Ela só dorme segurando minha mão, fala que eles [os enfermeiro] vão pegar ela. Tivemos que contratar uma pessoa para poder fazer companhia durante o dia. Ela não fica sozinha nem para que eu possa fazer o serviço doméstico. Ela fala que tá com medo', conta.

Marly lembra ainda que os funcionários do hospital duvidaram da veracidade da denuncia feita pela idosa. “Quando voltamos lá para o retorno contei para a enfermeira que faz a triagem e ela disse: ‘será? Não acredito nisso!’. A médica falou que era normal de quem teve covid ficar desnorteada, que a maioria das pessoas fica assim', afirma.

Revoltada, a filha questiona: “como que ela estava desnorteada se lá de dentro do hospital ela disse que estava com saudade de mim e quando chegou em casa lembrou da cadeira que tinha mandando fazer antes de ser internada?'.

A reportagem trocou algumas palavras com a idosa que afirma estar bem e quer esquecer o assunto. “Ele jogou água no meu rosto. Perguntei se ele não tinha mãe. Como ele tinha coragem de fazer isso comigo? Não quero mais falar desse papo. Acabou já', comentou, mostrando lucidez.

A neta da senhora, a cabeleireira Maira Paula dos Santos, disse que ainda nesta segunda-feira (15) vai procurar a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) para registar boletim de ocorrência e acredita que os quartos de hospital deveriam ter câmaras de segurança.

“Tinha que ter câmera nos quartos porque é impossível acontecer tanta coisa e ninguém ver. Como que vamos provar tudo isso? Esses enfermeiros devem pagar por tudo isso que fizeram. Chorei de raiva quando descobri. Me senti uma inútil de não poder fazer nada. E saber que por mais que não temos condições e um hospital grande isso vai ficar por isso mesmo', finaliza.

O Campo Grande News fez contato com o HRMS, por meio da assessoria de imprensa, que informou apenas poder dar um retorno na quarta-feira (17), quando termina o ponto facultativo dos servidores públicos estaduais.



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