Morte e luto já não assustam e números de covid-19 aumentam em MS

| O JACARé/SANDRA LUZ, DE PORTUGAL


Foto: Saul Schramm/SES

Enquanto muitos ainda não acreditam na gravidade da pandemia de Covid-19 ou a traduzem como uma falácia em nível mundial, 1.742 famílias em Mato Grosso do Sul perderam alguém importante devido às complicações da contaminação pelo coronavírus. Outros 905 vivem a incerteza sobre o curso da doença. Esse foi o número de  novos casos registrado apenas nas 24 horas anteriores à divulgação do boletim epidemiológico pela SES (Secretaria de Estado de Saúde), que ocorreu no início desta quarta-feira e apontou, ainda, haver mais quatro famílias e amigos sem chance de conviver com alguém querido que a morte por covid-19 levou.

Vinte e quatro horas podem não fazer diferença para quase todas as pessoas. Em época de covid-19 esse é o tempo em que a morte pode estar mais ou menos presente, mas nunca distante. Há exatamente um mês, no dia 25 de outubro, a SES divulgava que nas 24 horas horas anteriores à divulgação do boletim epidemiológico havia o registro de 302 novas contaminações pelo coronavírus, totalizando 79.901 registros oficiais.

Na mórbida divulgação, idade, município e doenças relatadas no prontuário de cinco vítimas fatais. Todas tinham alguma doença que pode ter acelerado o curso da covid-19, a mais nova delas estava com 70 anos. Sobre quem partiu ontem, havia uma pessoa que chegou ao hospital sem nenhuma doença pregressa, com saúde perfeita, até ser contaminada pelo Sars-CoV-2. Também no boletim de ontem, a vítima mais nova estava com 39 anos.

E é a faixa etária que vai dos 30 aos 39 que mais tem adoecido. Pessoas nessa idade contabilizam 24% dos atuais 90.652 casos e, além da própria saúde, representam preocupação adicional sobre os idosos, que ainda estão entre principais vítimas fatais da covid-19. Na tentativa de sensibilizar essa faixa etária, as secretarias de Estado e dos municípios têm elevado o tom das recomendações.

No caso de Campo Grande, recomendar apenas não bastou e um novo toque de recolher foi decretado para começar a valer entre os dias 27 de novembro e 11 de dezembro. Fica condicionada a circulação entre 23 horas e 5 horas.

A medida, publicada no Diário Oficial, mantém o funcionamento de postos de combustíveis, farmácias e unidades de saúde. Talvez o decreto, se cumprido, ajude a reduzir a circulação em festas e bares, mas os horários de pico estão mantidos. Nos países que lutam para tentar impedir a segunda onda da doença, fins de semana, feriados e, mesmo os dias sem pausa, representam ruas e comércio não essencial vazios.

Para os representantes do setor em Campo Grande, a medida é satisfatória. Além referendar o toque de recolher brando, os empresários também esperam conhecer o pacote de incentivo e recuperação econômica, cuja divulgação está prevista para a sexta-feira, dia 27. Enquanto os comerciantes esperam reaver parte do que perderam ao longo deste ano com a menor lotação de estabelecimentos, Estado e prefeituras trabalham com a possibilidade de hospitais cheios para as próximas semanas. De acordo com a SES, nove leitos de UTI pediátricos estão ocupados e, em 11 dias, as internações para a demanda de alta complexidade aumentaram 70%. Nesse intervalo, as internações passaram de 206 para 356. 

Hoje, nenhum dos quatro municípios pólo tem ocupação menor que 40% dos leitos de alta complexidade. Dourados está com 63% de lotação, Três Lagoas com 52% e Corumbá com 45%. É mais delicada a situação de Campo Grande, com 82% das vagas em uso. Para aumentar a disponibilidade do serviço, o secretário de Saúde do Estado, Geraldo Resende informou que tenta abrir mais 20 leitos distribuídos em igual número para HU (Hospital Universitário) e para HR (Hospital Regional). A barreira, porém, está na escassa oferta de pessoal. Afinal, camas e aparelhos, sozinhos, não tratam doentes. Ao analisar as duas últimas semanas, o presidente da Cassems (Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul), Ricardo Ayache aponta que os atendimentos passaram de 40 ao dia para 200. Com a demanda maior, profissionais de saúde entram no limite e pacientes precisam esperar mais, pontua.

Gestores públicos e privados aconselham a população a procurar os serviços de testagem, manter, quando possível, o distanciamento físico, a higiene das mãos e o uso constante de máscaras. Quanto aos testes, o secretário de Estado de Saúde Geraldo Resende informou que o Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) enviou uma carta ao Ministério da Saúde cobrando explicações sobre a validade dos kits. “Posso adiantar que os enviados para Mato Grosso do Sul foram utilizados'. Resende também manteve na agenda de reuniões de hoje a possibilidade de solicitar ao governador medidas restritivas de circulação para evitar a propagação do coronavírus, mas até o término desta matéria o resultado não havia sido revelado.



Comentários

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE